
Nasceu em Condeixa em 1919 e ali começou a exercer Medicina. Os laços humanos que o ligam à sua terra natal perdurarão para sempre nos seus livros.
Na pequena Casa-Museu Fernando Namora, caiada de branco, bem no centro da vila de Condeixa-a-Nova, encontra-se um núcleo de pintura constituído por quadros do próprio Namora e obras oferecidas pelos seus amigos — além de um conjunto de objectos pessoais do escritor e de uma colecção de manuscritos, apontamentos originais, provas tipográficas, livros publicados e anotados para futuras edições. Numa das salas é reconstituído o escritório do romancista: (…) «uma mesa cinco estantes/livros por centenas ou milhares/ (…) uma máquina de escrever Olivetti/ com a tinta acumulada nas letras mais redondas/ cachimbos barros estanhos medalhas fotos/ bonecos marafonas lembranças (…)».
Durante o período em que foi médico em Condeixa, Namora deixava muitas vezes a vila para ir acudir a doentes na serra. Partindo em direcção a Tomar, a paisagem muda significativamente, surgindo as vertentes escarpadas da serra de Janeanes. Num dia límpido, ao atingir o seu cume, a vista é imensa. A serra da Lousã ao fundo, os campos divididos por rudimentares muros de pedra, as oliveiras bravas, as povoações de Fonte Coberta e do Zambujal. Descendo ao vale, encontra-se uma zona de grandes grutas e rios subterrâneos. As buracas do Casmilo merecem uma visita, pelo fenómeno espeleológico que apresentam, denominado «incasão» (abatimento da parte central do monte, permanecendo apenas visíveis as laterais extremas).


