26 fevereiro, 2007


Os narcisos do nosso jardim...

23 fevereiro, 2007

A Filha do Polaco (cont. II)

***
"Depois d'aquelle jantar de cavadores, decidiram sair a passeio até a umas centenas de passos d'ali, vagarosamente, por causa de Maria Pulaski.
- Uma delicia de tarde! - disse D. Izabel.
- Parece de abril - respondeu-lhe Maria Pulaski.
- O peor é que este belo sol, como eu ainda não vi senão na Italia, está a querer-nos fugir por detraz d'aquelles montes - notou o velho polaco.
Tinham saido da aldeia, deram uma volta e vieram descer, torneando a pequena alameda onde estava o estado maior de Massena. Ficaram a curta distancia, um pouco escondidos pelos troncos de dois grandes pinheiros mansos.
- Aquelles ainda estão a jantar - disse André Pulaski, indicando as mezas improvisadas, ás quaes estavam sentados os officiaes da comitiva de Massena.
- Jantar de campanha, jantar ao ar livre, - observou Pamplona sorrindo - mas, a julgar pelo cheiro, immensamente melhor que o nosso. (*)"
(*)"E assim, na supposição de que estava defendido por umas poucas de divisões francesas e achando agradavel aquelle sitio da Fonte Coberta e aquelle tempo delicioso, Massena ordenára que servissem o jantar ali mesmo ao ar livre." (Memórias do General Marbout, tomo II, pag. 433)

22 fevereiro, 2007

A Filha do Polaco (cont. I)


No seguimento do meu post de ontem, transcrevo mais um excerto do livro A Filha do Polaco;
"A umas dezenas de passos para a frente, n'um telheiro, uma guarda de trinta granadeiros e no declive de um outeiro, á beira do caminho, uns trinta dragões de cavallos á mão.
Por detraz dos carvallos fumegava uma cosinha de campanha. Os creados do Marechal preparavam o jantar. Mas não estão ali Maria Pulaski e Luiz de Castro e temos de ir procural-os.
Atravessêmos a aldeia. Logo a meio da ruasita principal se nos depara uma casa de melhor apparencia. Aquartelaram-se ali os Marquezes de Alorna e de Loulé, Candido Xavier e outros officiales. Sigamos para deante. Ao cabo da povoação, á porta de uma casita alegre, com um nicho de Santo António e um grande quintal, lá está como de sentinella o nosso granadeiro João Luiz. Hão de estar alli tambem as pessoas que procuramos. Estão."

21 fevereiro, 2007

A Filha do Polaco

A minha tia Graciete, contou-me que em pequena tinha lido um romance histórico – A Filha do Polaco, um livro impregnado de muitas verdades descritas de um modo fascinante e que conta as aventuras de um soldado polaco em terras lusas no tempo das invasões francesas. Esta obra de três volumes de autoria de António de Campos Júnior desapareceu no tempo e através do Presidente da Junta de Freguesia do Zambujal, o Dr. Fernando Manuel Abreu, conseguiu-se obter algumas fotocópias que fazem parte do volume III, 3ª edição, ano de 1926.
Assim, passo a transcrever alguns excertos desta história passados neste lugar;

“...Sigamos nós de Soure para Condeixa, mas, antes de lá chegar, tomemos pelo caminho para Miranda do Côrvo e indaguemos para que lado fica a povoação de Fonte Coberta.
Está ali o estado maior de Massena. Encontra o a gente logo a entrada da aldeia; á sombra de uns carva’lhos antigos. Fririon conversa com os nossos conhecidos Marbot, Ligneville e Casabianca. Massena está falando com o general Eblé e o ajudante Pelet. Mais largo, uns grupos de officiaes conversam animadamente.
O dia está uma delicia como se fosse um prenuncio de primavera. O sol queima como se estivessemos em junho. A cem passos do alpendre de uma casa térrea, humilde, sentado n’uma cadeira de tesoura, antiga, vê-se um dragãosinho de cabellos dourados e ao pé d’elle uma mulher de cabellos grisalhos com o traje de vivandeira. Conhecemos perfeitamente aquelle franzino official de dragões. É a companheira do Marechal no seu travesti de companhia.”

08 fevereiro, 2007

Janela aberta...



Não basta abrir a janela

Para ver os campos e o rio.

Não é bastante não ser cego

Para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.

Há só cada um de nós, como uma cave.

Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;

E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,

Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Não basta, Alberto Caeiro

07 fevereiro, 2007

Glória



Os dias continuam frios, os primeiros raios de sol começam por dar vida a estas pequenas e humildes flores – malmequeres selvagens.... Os campos ficam cobertos, já cheira a Primavera!!!

...

Depois do Inverno, morte figurada,
A Primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores

Miguel Torga

30 janeiro, 2007

Em memória de Alberto Pinto Valejo (1924-1999)

as saudades que não morrem...

"...Trago-te no riso enterrado,
nas lágrimas que me
lançaste, escadas de
incêndio para a sabedoria
da felicidade, na pele
escaldada pelo brilho da
noite, depois do mar.
Deslizo para esta solidão
demasiado humana de não
poder voltar a ser sozinho,
como era quando tu
existias, nesta mesma
cidade, e eu já nem sequer
pensava em ti."
Fazes-me falta, Inês Pedrosa

22 janeiro, 2007

Largo Pier Maria Baldi


No ano de 1669, Fonte Coberta mereceu ser representada por Pier Maria Baldi – pintor toscano, quando o Príncipe Cosme de Médicis lhe solicitou uma pintura para memória deste lugar. Ainda que o cenário seja árido, nunca o lugar foi sentido inóspito, existindo suficientes vestígios de ocupação já nos séculos I e II. A sua localização tornou-o palco de episódios militares durante a terceira invasão francesa.

11 janeiro, 2007

Terra Firme

Dezembro, 2006



Lembras-me uma marcha de lisboa
Num desfile singular,
Quem disse
Que há horas e momentos p'ra se amar


Lembras-me uma enchente de maré
Com uma calma matinal
Quem foi
quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal

As memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar

Queria viver tudo numa noite
sem perder a procurar
O tempo, ou o espaço
Que é indiferente p'ra poder sonhar

Quem foi que provocou vontade
se atiçou as tempestade
se amarrou o barco ao cais
Quem foi, que matou o desejo
E arrancou o lábio ao beijo
E amainou os vendavais

devagar

Música: João Gil / Letra: Luís Represas

09 janeiro, 2007

Um novo ano...



As singelas flores do Rio de Mouros...

21 dezembro, 2006

Um Bom Natal...

A
todos
aqueles
que gostam
de dormir mas
que se levantam
sempre de bom humor.
Aos que saudam com um
beijo. Aos que trabalham muito
e se divertem mais ainda. Aos que
conduzem com pressa mas não buzinam
nos semáforos. Aos que chegam atrasados, mas
não inventam desculpas. Aos que apagam a televisão
para uma boa cavaqueira. Aos que são duplamente felizes,
fazendo só metade. Aos que se levantam cedo para ajudarem um
Amigo. Aos que vivem com o entusiasmo de uma criança e a sabedoria
de um adulto. Aos que vêm tudo preto só quando está tudo escuro. Aos que
não
esperam
pelo
Natal
para
serem
melhores
Santo Natal

18 dezembro, 2006

O Presépio



Já alguns anos que não o fazia e este ano o Natal será pela primeira vez na Fonte Coberta, e por isso, decidimos fazer o presépio.

Ontem ao início da tarde, por caminhos e montes andámos à procura do musgo e encontrámos grandes tapetes de fofo e variado musgo, apanhámos um pequeno tronco e alguns ramos de pinheiro. Já em casa, devolvemos à vida todas aquelas pequenas figurinhas de barro e este é o resultado final...

As criadoras: Eu, mãe Isabel, tia Graciete, Maria João e acompanhadas pelos nossos amigos de quatro patas Dingo e Jonas.

14 dezembro, 2006

Caminhos de Santiago...


As origens históricas deste local – que constituiu em tempos remotos, através da Fonte Coberta, um dos caminhos para Santiago de Compostela...

13 dezembro, 2006

Fernando Namora


Nasceu em Condeixa em 1919 e ali começou a exercer Medicina. Os laços humanos que o ligam à sua terra natal perdurarão para sempre nos seus livros.

Na pequena Casa-Museu Fernando Namora, caiada de branco, bem no centro da vila de Condeixa-a-Nova, encontra-se um núcleo de pintura constituído por quadros do próprio Namora e obras oferecidas pelos seus amigos — além de um conjunto de objectos pessoais do escritor e de uma colecção de manuscritos, apontamentos originais, provas tipográficas, livros publicados e anotados para futuras edições. Numa das salas é reconstituído o escritório do romancista: (…) «uma mesa cinco estantes/livros por centenas ou milhares/ (…) uma máquina de escrever Olivetti/ com a tinta acumulada nas letras mais redondas/ cachimbos barros estanhos medalhas fotos/ bonecos marafonas lembranças (…)».

Durante o período em que foi médico em Condeixa, Namora deixava muitas vezes a vila para ir acudir a doentes na serra. Partindo em direcção a Tomar, a paisagem muda significativamente, surgindo as vertentes escarpadas da serra de Janeanes. Num dia límpido, ao atingir o seu cume, a vista é imensa. A serra da Lousã ao fundo, os campos divididos por rudimentares muros de pedra, as oliveiras bravas, as povoações de Fonte Coberta e do Zambujal. Descendo ao vale, encontra-se uma zona de grandes grutas e rios subterrâneos. As buracas do Casmilo merecem uma visita, pelo fenómeno espeleológico que apresentam, denominado «incasão» (abatimento da parte central do monte, permanecendo apenas visíveis as laterais extremas).

13 novembro, 2006

Apresento-vos a minha rua...


Notícia de 2006-10-11, retirada do site oficial da Câmara Mun. de Condeixa-a-Nova:
O executivo de Condeixa aprovou três contractos programa que visam apoiar técnica e financeiramente as Juntas de Freguesia de Belide, Condeixa-a-Nova e Zambujal:

... O terceiro contrato programa atinge um valor de 16.500 euros e contempla obras na freguesia do Zambujal. Assim estão assegurados financiamentos para os trabalhos de continuação do “Alinhamento da Rua das Poças”, “Arranjo do Largo Calcetado na Póvoa das Pêgas” e “Calcetamento das Ruas dos Alpendres e Valsinho na Fonte Coberta”.

A vista da janela do meu quarto...

Bem Vindos à Fonte Coberta