28 março, 2007

A minha rua... agora está mais bonita!!!



No meu post de 13 de Novembro de 2006, apresentei-vos a minha rua e informei que o executivo de Condeixa-a-Nova tinha aprovado financiamento de obras para calcetamento nas ruas dos Alpendres e Valsinho. Pois é, as obras decorreram este mês e duraram cerca de duas semanas.

Agora sim, dá gosto abrir a porta e passear na rua dos Alpendres.

27 março, 2007

Memórias sobre a 3ª Invasão Francesa


" ... O exército francês, continuando a sua retirada de forma regular e concentrada, afastava-se de Pombal, quando a sua retaguarda foi atacada pelos corredores inimigos. O marechal Ney fê-los recuar e, para lhes barrar completamente a passagem e preservar o nossos equipamente cujo transporte era muito lento, mandou pôr fogo à cidade... O grosso do exército francês posicionou-se entre Condeixa e Cartaxo. O momento crítico da nossa retirada tinha chegado. Massena, que não queria abandonar Portugal, tinha decidido passar o Mondego em Coimbra e acantonar as suas tropas na região fértil situada entre esta cidado e o Porto, para aí esperar pelas ordens e os reforços prometidos pelo Imperador... O quartel-general apanhou, no dia 13, esta direcção e devia ir nesse mesmo dia a Miranda do Corvo. Todavia, sem que pudéssemos saber o motivo, o generalíssimo foi instalar-se em Fonte Coberta e, achando-se bem protegido pelas divisões que ele tinha mandado o marechal Ney colocar em Cartaxo e em Condeixa, só tinha junto dele um posto de 30 granadeiros e 25 dragões ...



... Efectivamente, persuadido de que estava protegido por várias divisões francesas, Massena achou que a região de Fonte Coberta era muito agradável e que o tempo estava magnífico e mandou servir o jantar ao ar livre. Estávamos, então, muito tranquilamente à mesa, debaixo das árvores à entrada da vila, quando, de repente, vimos um piquete de 50 hussardos ingleses a menos de 100 passos! ...






Fonte:


"Memórias sobre a 3ª Invasão Francesa" de General Barão de Marbot. As suas memórias, escritas em 1847 e publicadas pela primeira vez em 1891, em três volumes, são das mais apreciadas de quantas incidiram sobre a época Napoleónica. Marbot participou na 3ª invasão Francesa em Portugal, integrado no Estado-Maior de Massena, descrevendo no seu livro, com bastante pormenor, os acontecimentos ocorridos nessa campanha.

21 março, 2007

Navegar, Fernando Pessoa

Foto: Alberto Valejo, rio de Mouros






Navega, descobre tesouros,
mas não os tires do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admira a Lua, sonha com ela,
Mas não queiras trazê-la para Terra.
Goza a luz do Sol, deixa-te acariciar por ele.
O calor é para todos.

Sonha com as estrelas, apenas sonha, elas só podem brilhar no céu.

Não tentes deter o vento, ele precisa correr por toda a parte,
ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Goza a luz do Sol, deixa-te acariciar por ele.
O calor é para todos.
As lágrimas? Não as seques, elas precisam correr na minha,
na tua, em todas as faces.
O sorriso! Esse deves segurar, não o deixes ir embora, agarra-o!
Quem amas? Guarda dentro de um porta jóias, tranca, perde a chave!
Quem amas é a maior jóia que possuis, a mais valiosa.
Não importa se a estação do ano muda, se o século vira
conserva a vontade de viver, não se chega a parte alguma sem ela.
Abre todas as janelas que encontrares e as portas também.
Persegue o sonho, mas não o deixes viver sozinho.
Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho.
Descobre-te todos os dias, deixa-te levar pelas tuas vontades,
mas não enlouqueças por elas.
Procura! Procura sempre o fim de uma história, seja ela qual for.
Dá um sorriso aqueles que esqueceram como se faz isso.
Olha para o lado, há alguém que precisa de ti.
Abastece o teu coração de fé, não a percas nunca.
Mergulha de cabeça nos teus desejos e satisfá-los.
Agoniza de dor por um amigo, só sairás dessa agonia se
conseguires tirá-lo também.
Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.
Arrepende-te, volta atrás, pede perdão!
Não te acostumes com o que não te faz feliz,
revolta-te quando julgares necessário.
Enche o teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela.
Se achares que precisas de voltar atrás, volta!
Se perceberes que precisas seguir, segue!
Se estiver tudo errado, começa novamente.
Se estiver tudo certo, continua.
Se sentires saudades, mata-as.
Se perderes um amor, não te percas!
Se o achares, segura-o!
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
“O mais é nada".





Aos Amigos, obrigada pela vossa presença constante...

3ª Invasão Francesa


Continuo com as minhas pesquisas, recolhendo informações sobre a Fonte Coberta, de forma a descobrir mais sobre a povoação e a enriquecer o meu blog...
Encontrei no site da Câmara Municipal da Lousã, uma informação no âmbito das comemorações dos cem anos ( 1811-1911) em que o exército Francês de Massena atravessou o concelho da Lousã.

“...Em 13 e 14 houve combates em todo o caminho sendo o mais importante o da Fonte Coberta na noite de 14 e em que o próprio Massena esteve em riscos de ser feito prisioneiro com seu estado maior tendo de sair apressadamente pelas traseiras da casa onde se preparava um jantar que não chegou a saborear.”

O tal jantar relatado no livro A Filha do Polaco.

20 março, 2007

continuando...



Pelos caminhos da Fonte Coberta... eu e a pequena Daniela amarela, num momento de pausa e aqui estou eu a colocar pequenos malmequeres no casaquito dela. Que lindo, uns botões de malmequeres!!! Pena não terem ficado por muito tempo, coisas de crianças!!!

13 março, 2007

oito anos...



PAI
Palavra
Amiga que
inspira toda minha vida
...

12 março, 2007

Daniela, amarela...




Um Domingo magnifico.. Um céu azul, um sol brilhante e quente. Chegaram as andorinhas, o seu voo inconfundível já cruza o céu.
...
Com um dia assim, como é bom ficar debaixo do telheiro a brincar... Temos aqui a Daniela, entretida a jogar o puzzle dos ursos, também demos uns chutos na bola, observamos os bichos, as flores da avó e com um dia assim até o lanche foi na rua... E dormir a sesta, qual sesta!! No final do dia, a Daniela já arrastava os pézitos e acabou por adormecer ao colo do pai.

08 março, 2007

Os bichos deste lugar (I)

As cabrinhas

Campos floridos


O passeio


O dia de sol e outro de chuva...

As meninas de Lisboa chegaram bem, abraços e beijinhos, as saudades já eram muitas!!!
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A avó Bel, fez para o jantar um bacalhau com natas, de comer e chorar por mais. Após o nosso belo jantar e como já era um pouco tarde, as pequenas foram para a cama e nós ficamos à conversa junto da patusca (nome que a minha mãe utiliza, quando se refere à salamandra).
-
Despertamos cedo no dia seguinte, casa com crianças cedo se madruga, e fomos para o terraço jogar à bola e outras brincadeiras que nos fazem recordar os tempos de meninice... De tarde, fomos dar um longo e belo passeio, por um caminho estreito ao longo do rio de Mouros que vai dar à povoação vizinha - o Poço. As pessoas daqui, dizem que este mesmo caminho era utilizado pelos peregrinos para chegar a Santiago de Compostela. Durante esse percurso, vimos as cabrinhas a pastar, pessoas no campo a cuidar das suas terras, havia muitas flores e apanhámos imensas... A Inês e a Maria João estavam encantadas com os seus raminhos de flores coloridas...
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No Domingo, o dia acordou cinzento e chuvoso, ficamos recolhidas em casa...

02 março, 2007

Sexta-Feira...

A Pimenteira

As meninas de Lisboa estão a caminho... O tempo está murcho, o sol espreita de vez em quando por detrás de nuvens cinzentas. Mas, mesmo assim nós (*) acreditamos que pode haver um milagre e continuamos a repetir e a cantarolar para que o sol desperte:
***
Avó diz: Nossa Senhora da Conceição: faça sol e chuva não!!!
Ana diz: Nossa Senhora da Conceição: faça sol e chuva não!!!
Alberto diz: Nossa Senhora da Conceição: faça sol e chuva não!!!
Isabeló diz: Nossa Senhora da Conceição: faça sol e chuva não!!!
Daniela diz: Nossa Senhora da Conceição: faça sol e chuva não!!!
Verinha pensa: Nossa Senhora da Conceição: faça sol e chuva não!!!
***
(*) Os que aguardam ansiosamente pela chegada das "meninas de Lisboa": Avó Isabel, a Ana, o Alberto, a Isabeló, a Daniela e a Verinha (que está doentinha e um pouco rabujenta, mas esperemos que amanhã esteja melhor).

27 fevereiro, 2007

Que venha bom tempo para este fim-de-semana...

Autora: Dª Preciosa, Fonte Coberta, Fevereiro 2007

Pois é, espero que no próximo fim-de-semana esteja bom tempo, um sol maravilhoso como se fosse Primavera (para não pedir muito a São Pedro) ...No próximo fim-de-semana vamos ter casa cheia: a mana Taninha, a avó Adelaide e as minhas pequeninas sobrinhas Inês e Sara, vêm visitar a casa da avó Isabel. Fantástico!!! Muitos passeios vamos dar meninas!!!

Por isso, cá vai uma foto bem apropriada a acompanhar este post... Um espantalho, para afugentar as nuvens e o mau tempo.
***
Pena, que o Jorginho esteja doente e não possa acompanhar a sua família... Rápidas melhoras!!!

23 fevereiro, 2007

A Filha do Polaco (cont. II)

***
"Depois d'aquelle jantar de cavadores, decidiram sair a passeio até a umas centenas de passos d'ali, vagarosamente, por causa de Maria Pulaski.
- Uma delicia de tarde! - disse D. Izabel.
- Parece de abril - respondeu-lhe Maria Pulaski.
- O peor é que este belo sol, como eu ainda não vi senão na Italia, está a querer-nos fugir por detraz d'aquelles montes - notou o velho polaco.
Tinham saido da aldeia, deram uma volta e vieram descer, torneando a pequena alameda onde estava o estado maior de Massena. Ficaram a curta distancia, um pouco escondidos pelos troncos de dois grandes pinheiros mansos.
- Aquelles ainda estão a jantar - disse André Pulaski, indicando as mezas improvisadas, ás quaes estavam sentados os officiaes da comitiva de Massena.
- Jantar de campanha, jantar ao ar livre, - observou Pamplona sorrindo - mas, a julgar pelo cheiro, immensamente melhor que o nosso. (*)"
(*)"E assim, na supposição de que estava defendido por umas poucas de divisões francesas e achando agradavel aquelle sitio da Fonte Coberta e aquelle tempo delicioso, Massena ordenára que servissem o jantar ali mesmo ao ar livre." (Memórias do General Marbout, tomo II, pag. 433)

22 fevereiro, 2007

A Filha do Polaco (cont. I)


No seguimento do meu post de ontem, transcrevo mais um excerto do livro A Filha do Polaco;
"A umas dezenas de passos para a frente, n'um telheiro, uma guarda de trinta granadeiros e no declive de um outeiro, á beira do caminho, uns trinta dragões de cavallos á mão.
Por detraz dos carvallos fumegava uma cosinha de campanha. Os creados do Marechal preparavam o jantar. Mas não estão ali Maria Pulaski e Luiz de Castro e temos de ir procural-os.
Atravessêmos a aldeia. Logo a meio da ruasita principal se nos depara uma casa de melhor apparencia. Aquartelaram-se ali os Marquezes de Alorna e de Loulé, Candido Xavier e outros officiales. Sigamos para deante. Ao cabo da povoação, á porta de uma casita alegre, com um nicho de Santo António e um grande quintal, lá está como de sentinella o nosso granadeiro João Luiz. Hão de estar alli tambem as pessoas que procuramos. Estão."

21 fevereiro, 2007

A Filha do Polaco

A minha tia Graciete, contou-me que em pequena tinha lido um romance histórico – A Filha do Polaco, um livro impregnado de muitas verdades descritas de um modo fascinante e que conta as aventuras de um soldado polaco em terras lusas no tempo das invasões francesas. Esta obra de três volumes de autoria de António de Campos Júnior desapareceu no tempo e através do Presidente da Junta de Freguesia do Zambujal, o Dr. Fernando Manuel Abreu, conseguiu-se obter algumas fotocópias que fazem parte do volume III, 3ª edição, ano de 1926.
Assim, passo a transcrever alguns excertos desta história passados neste lugar;

“...Sigamos nós de Soure para Condeixa, mas, antes de lá chegar, tomemos pelo caminho para Miranda do Côrvo e indaguemos para que lado fica a povoação de Fonte Coberta.
Está ali o estado maior de Massena. Encontra o a gente logo a entrada da aldeia; á sombra de uns carva’lhos antigos. Fririon conversa com os nossos conhecidos Marbot, Ligneville e Casabianca. Massena está falando com o general Eblé e o ajudante Pelet. Mais largo, uns grupos de officiaes conversam animadamente.
O dia está uma delicia como se fosse um prenuncio de primavera. O sol queima como se estivessemos em junho. A cem passos do alpendre de uma casa térrea, humilde, sentado n’uma cadeira de tesoura, antiga, vê-se um dragãosinho de cabellos dourados e ao pé d’elle uma mulher de cabellos grisalhos com o traje de vivandeira. Conhecemos perfeitamente aquelle franzino official de dragões. É a companheira do Marechal no seu travesti de companhia.”

08 fevereiro, 2007

Janela aberta...



Não basta abrir a janela

Para ver os campos e o rio.

Não é bastante não ser cego

Para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.

Há só cada um de nós, como uma cave.

Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;

E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,

Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Não basta, Alberto Caeiro