23 junho, 2008

Chamo-Te

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.



Sophia de Mello Breyner Andresen
 






17 junho, 2008

Ele há cada nome


Há nomes que nem inventados. Mas são verdadeiros. Eu garanto, porque os colecciono e cato, um a um, pelas listas telefónicas do país.
A família Barriga, por exemplo, tão velha como Portugal. Já no tempo do nosso primeiro rei, o bravo D. Afonso Henriques, vivia, na província da Beira, um Martim de Barriga.
Que ninguém se admire.
Se há tantos Costas, porque é que não há-de haver alguns Barrigas?
A família cresceu, espalhou-se e chegou aos nossos dias. Conheci, há tempos, uma senhora, descendente do remoto beirão Martim de Barriga. Chama-se Maria das Dores, mais precisamente Maria das Dores de Barriga, o que talvez lhe cause alguma indisposição.
E o caso do Dr. Pedro Branco que se casou com uma senhora de apelido Feijão e tiveram um filho Feijão Branco?
Mais ou menos semelhante, e também verdadeiro, foi o caso ou casamento que uniu D. Maria José Coelho com o Engenheiro Manuel da Silva Guisado. O filho do casal chama-se Abel Coelho Guisado e não se importa.
Nem tem nada com que importar-se, porque, verdade verdadinha, há nomes muito mais esquisitos.
Contou-me a minha avó que um casal já com muitos filhos foi brindado com mais uma criança, um perfeito rapazinho que havia de se chamar...
- André - disse o pai.
- João - disse a mãe.
- Fernando - disse um avô.
- Camilo - disse o outro avô.
- Manuel João - disse uma avó.
- João Manuel - disse a outra avó.
Não se entenderam.
Quando, na cerimónia do baptizado, foi preciso assentar o nome do bebé no livro dos registos, ainda a família não tinha chegado a uma decisão. Até que a mãe, para safar a encrenca, ditou ao sacristão, que estava de pena suspensa sobre o livro dos registos:
- Olhe, senhor sacristão, o nome do meu filho fica João, até ver.
E o obediente sacristão escreveu assim o nome do rapaz: "João Até Ver Martins".
Mas, para o resto da vida, ficou só conhecido pelo João Até Ver.
- Pouco importa - concluía a minha avó, que esta história me contou. - O que vale é que cada um seja conhecido pelo que de bom fizer.
Se for pelo que de mal fizer, então, sim, já terá razão para envergonhar-se do nome.
Grandes verdades ensinava a minha avó, de nome Olívia Torrado, que, todos concordarão, não é um nome assim muito vulgar...
António Torrado
escreveu

13 junho, 2008

Hoje é dia Santo

@ Alberto Valejo, Agosto 2005


Os cinco doces anos de Daniela Amarela... 

05 junho, 2008

De Lisboa com Amor ....


@ Paula Silva

Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor de pele

Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante

Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão

Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado

Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue bem quente

Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca tocado

Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso

Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada mas nada
Te faz contente me faz contente

Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido

Há amor eterno
Sem nunca talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez

Sempre para sempre - Donna Maria

02 junho, 2008

28 maio, 2008

Quebrando o silêncio



Arrumei à pressa o dia anterior,
levanto-me do chão, a rasgar a vida...
Ouço esta melodia e penso em alguém.
 

25 maio, 2008

Em pleno azul



Uma nova luz algures do lado de fora.
Ilumina-me...

22 maio, 2008

Recordações de infância...



Apresento-vos a Fedra e o Pavel.


Estes amorosos bonecos de trapos feitos pela minha irmã já devem ter uns 20 anitos.
Há pois é, o tempo passa!!!
Recordo-me perfeitamente de a ver entretida a fazer estes bonecos coloridos, rodeada de pequenos tecidos de vários padrões e cores, moldes em papel vegetal, linhas, lãs, tintas, tesoura e agulhas.
Agora o tempo é curto e ficam as recordações. Quem sabe um dia...

21 maio, 2008

pequenos romances



Queimei os pequenos romances
da colecção coração de ouro
só restava o nosso
sabias que não seria duradouro

pequenos romances

rodeei-me dos teus objectos favoritos
agora já não me sinto tão culpada
organizei o remorso
não encontrei absolutamente nada

um dia é provável que te volte a amar
mas espero que nesse dia
seja tarde demais

A Naifa

13 maio, 2008

Novo desafio!!!




A Roselha fez parte da primeira aventura em ir à "caça"...
Os Amigos que habitualmente visitam este lugar deram a resposta e mesmo assim houve um dito falso expert em botânica que teimava distabilizar a nossa aventura.

Aqui vai o novo desafio.  Quem me diz o nome desta bonita flor???

12 maio, 2008

Irish Wildflower Mix (II)



Já parece uma selva!!! que grande mixelanea...

11 maio, 2008

Irish Wildflower Mix



Esta bonita e colorida embalagem veio de longe... mais precisamente Dublin, talvez a 2500 km daqui. Uma oferta de um amigo...
Contendo uma mistura de várias e pequenas sementesinhas de flores selvagens.



Este acontecimento já devia ter sido colocado aqui, mas só hoje é que arranjei disposição e tempo para escrever um post sobre esta minha tarefa.
No dia 06 de Abril, dediquei-me à jardinagem e mãos à terra. A minha ideia seria lançar estas pequenas sementes no nosso jardim & horta junto do limoeiro, os morangueiros silvestres, o alecrim, o buxo, a azália e outras plantinhas.
Mas, surgiu um pequeno problema... este pequeno cantinho de terra é nem mais nem menos um dos locais preferidos do Pipas e do Max, porque aqui eles adoram esgravatar, brincar às escondidas e o mais grave adoram comê-las, de preferência as plantas mais tenrinhas.
Assim, mudança de planos e para que as pequeninas sementes pudessem crescer em paz, nada melhor que mudar o local. Um vaso...




 



Colocou-se a terra, as sementes foram lançadas e no final reguei o pequeno canteiro. De acordo com as "Growing instructions" a germinação inicia-se dentro de 10-40 dias.



Foto: tirada no dia 01 de Maio.

06 maio, 2008

Como dizer o silêncio?





Passo por aqui, após o meu habitual e apressado almoço semanal...
Senti uma subita saudade deste "meu lugar"... É aqui onde sinto o silêncio.

04 maio, 2008

Flores do campo




No dia 1 de Maio,
o dia internaional do trabalhador,
a quinta-feira da Ascensão,
o dia da espiga...

Cheguei à Fonte Coberta e como a casa estava silenciosa, saí porta fora e fui ao encontro das meninas... Andavam elas entretidas no meio do campo apanhar a espiga e outras flores campestres e eis o resultado, os ramos da Sara, Maria João e Inês.




Cada elemento simboliza um desejo:
- A espiga, que haja pão, isto é, que nunca falte comida, que haja abundância em cada lar.
- O ramo de folhas de oliveira, que haja paz.
- Flores, que haja alegria, simbolizada pela cor das flores - o malmequer ainda «traz» ouro e prata, a papoila «traz» amor e vida e o alecrim «traz» saúde e força.


30 abril, 2008

Menina de Lisboa...



Outro dia especial e desta vez dedico um post à minha companheira de viagens...
A ti, os meus Parabéns e desejos de Belos e Felizes anos...

....
Menina Lisboa
Você é daquelas
Que em noite de Lua
Namoram os craveiros
Das altas janelas
Que deitam p´ra rua
E baila no vira
Que vira e não cansa
Pela Madragoa
Agora é que eu vejo
Você também dança
Menina Lisboa
...
Repertório Amália Rodrigues
Letra de: Amadeu do Vale
Música de: Raul Ferrão




24 abril, 2008

Ao Viajante...



No meu dia ofereceste-me flores...
 e hoje é a minha vez de retribuir o mimo, flores do meu jardim.
A ti Viajante,
muitos PARABÉNS e que este dia seja bem passado, pelo menos à tua maneira!!!

17 abril, 2008

Amor como em casa



Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraída percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

Manuel António Pina

13 abril, 2008

Um rapaz mal desenhado


gostei de o ter por cá
o teu corpo delicado e quente
um rapaz mal desenhado
...

...
depois de tão belo começo
a dar-me a mão por debaixo da mesa
eu bem sei que não o mereço

ambiciono um coração
perco a noção da subtileza
sabes que nunca te encorajei
levanta-te e paga a despesa

(perdoa-me a indelicadeza)

não julgues que não tentei
és pouco para tanto desejo
e é toda tua a culpa
dos embaraços em que me vejo"

_m.r.t. (A Naifa)

06 abril, 2008

Chegou a Primavera!!!



Chegou a Primavera e com ela traz o canto dos pássaros e o desabrochar das flores de mil e uma cores.

É a estação em que nos sentimos mais leves e prontos para sair, passear, viajar, conviver com os amigos, partir para novas experiências e para sair da toca à caça de novas aventuras!

Aqui fica a aventura para ir à "caça". Quem me diz o nome desta bonita flor???


02 abril, 2008

Segue o teu destino



Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis


25 março, 2008

Da Fonte Coberta com amor...



Alguém andou a "cuscar" o meu blog e deixou-me esta maravilhosa surpresa... 
Conseguiste o que querias, arrancar um brilhozinho de felicidade e ao mesmo tempo um sorriso rasgado.

Música: Ashram, Sweet Autumn (part II)



24 março, 2008

Amêndoas doces...



As quatros meninas juntas fizeram as delicias da casa... as brincadeiras, os gritinhos e os risos sonoros.



O Pato, a companhia do Pocoyo... 



estou escondida...

««»»

Fomos até casa das meninas de Lisboa... 
Apesar do tempo estar muito frio, foi tão bom estarmos juntos, no aconchego da família!!! 
Um fim de semana prolongado, onde comemoramos a Páscoa à nossa maneira... Momentos sempre deliciosos, a repetir... 

21 março, 2008

Dia Mundial da Árvore



Flores do campo, flores da Primavera...

20 março, 2008

Sape Gato - Dia Mundial contra o Racismo



Pipas & Max gozando a sombra da falsa pimenteira
...

A gata Milocas é uma gata branca...
A gata Milocas teve três gatinhos. Os gatinhos chamavam-se Bibim, Bombom e Zé Lucas.
O Bibim e o Bombom são todos brancos.
O Zé Lucas não é todo branco. Tem uma orelha preta.
O Zé Lucas está sempre a lavar a orelha preta, a ver se a orelha muda de cor. Mas a orelha não muda de cor. Continua preta.
Então o Zé Lucas resolve ir ao médico dos gatos.
- Senhor Doutor, tenho a orelha toda preta.
- Já vi - disse o doutor .- E que mais?
- Mais nada.
- A orelha dói-lhe?
- Não dói.
- Ouve mal?
- Oiço bem.
- Tem comichão?
- Não tenho comichão.
- Então?
- É preta. A minha orelha é preta.
- Quer que lhe corte a orelha?
- Isso não.
- Então?
- Senhor Doutor, queria ter a orelha branca.
O médico dos gatos encolheu os ombros, mas foi lá dentro preparar uma injecção.
Veio com a injecção e deu a injecção ao Zé Lucas.
O Zé Lucas disse:
- Ai.
Vai daí, a orelha que era preta ficou branca, muito branca.
Ficou a orelha branca, mas o corpo, que era branco, ficou preto - patas pretas, focinho preto, rabo preto. Todo preto, muito preto.
- Está contente? - perguntou-lhe o médico dos gatos.
- Estou - respondeu o Zé Lucas.
E estava mesmo!

António Torrado, escreveu

19 março, 2008

Para Ti...



Dia do PAI

Para Ti, um Mar de Malmequeres.

Estamos juntos, estando separados...
 

13 março, 2008

A Ti...




" ... Nunca quis saber nunca quis acreditar
Que tu irias partir não podias cá ficar
nunca quis escutar muito menos quis ouvir
O teu silêncio que avisava a intenção de não voltar
Podes crer
Bem que me disseram para nunca me agarrar a uma pessoa a um lugar
Podes crer
Se um homem nunca chora para que servem estes olhos se não podem mais te ver
Queria ver queria saber
O que fazias tu que estás aqui a observar
Tás a ver tás a perceber
Pode ser que um dia a gente volte a se encontrar
Agora embora, agora sem demora
Deixa-me ficar aqui sozinho p’ra pensar
Embora agora que a minha alma chora
Como disse alguém
Vou-me perder para me encontrar
...
Pede-me que fique mais
Por um segundo eterno
Como se quisesse ter
O meu beijo terno

Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Só por esse instante"

Dois Lados do Mesmo Adeus
Letra: Manuel Lourenço e Miguel A. Majer

11 março, 2008

Lado A Lado




"Somos dois caminhos paralelos
Vamos pela vida lado a lado
Doidos que nós somos
Loucos que nós fomos
Nem sei qual é de nós mais desgraçado

Lado a lado meu amor mas tão longe
Como é grande a distância entre nós
O que foi que se passou entre nós dois que nos separou
Porque foi que os meus ideais morreram assim dentro de mim

Ombro a ombro tanta vez mas tão longe
Indiferença entre nós quem diria
Custa a crer que tanto amor tão profundo amor tenha acabado
E nós ambos sem amor lado a lado

Fomos no passado um só destino
Somos um amor desencontrado
Doidos que nós somos
Loucos que nós fomos
Não sei qual é de nós mais desgraçado"

Donna Maria
Música: Nobrega e Sousa
Letra: Jeronimo Bragança


05 março, 2008

Telha...




Hoje andei com a telha... há dias assim!!!

03 março, 2008

A Pereira



A pereira, devagarinho começa a despertar...

01 março, 2008

O Olhar



A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos domónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

Manuel António Pina
in «Algo Parecido Com Isto, Da Mesma Substância»

27 fevereiro, 2008

Pipas...



O Pipas admirando a paisagem. Ele também é fã deste lugar,
por aqui ele toma a liberdade e inventa o seu caminho ...

«O Pipas faz hoje 9 anitos»

Entrei num jardim alheio...







 


20 fevereiro, 2008

Noites longas...




Os amantes não se casam,
Os amantes olham as estrelas; devoram-se até à alma...

14 fevereiro, 2008

AMA TU TAMBÉM!!!



Amo-te, em tantas Línguas...
Je t'aime - Ich liebe dich - Ngo oiy ney a
Mi aime jou - Volim te - Te quiero - Te amo
Mi amas vin - Chan rak khun - Ya tebe kahayu
Ik hou van jo - Ti amo - Te dua - T'estimo
Ich lieb' Di' - Ana moajaba bik
I love you - Ua Here Vau Ia Oe
«»
a minha versão: Gosto de ti porra!!!



11 fevereiro, 2008

São servidos



Daniela amarela, a cozinheira... 

10 fevereiro, 2008

Eu...





O passado não me incomada. Guardo tudo o que vivi, os momentos doces e amargos... 
Hoje sinto-me mais leve, de peito aberto com a vida.  

08 fevereiro, 2008

Tu



Isto és tu. O tormento. Uma linha desgovernada, que corre como luz e nunca tem fim.
Tu és o caminho por onde sigo mesmo sem saber; o lugar onde descanso; o lençol que se enrola à minha volta e me leva, quando preciso dormir.
Fazes-me rir. Fazes-me chorar. Fazes-me viver.
Tu és isto. Eu só sei isto. És o meu amor. Por ti tudo serei.
Para ti, tudo hei-de conseguir. Não é por amor. É só porque eu, sem ti, nada sou...

Hoje de manhã saí muito cedo




Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro