O meu companheiro. Corrijo, o meu N. está sempre a dizer-me: " a melhor forma de arrumares as tuas gavetas, é escreveres, liberta-te, pega numa folha de papel e escreve os teus sentimentos, o teu e o nosso dia-a-dia desde o primeiro dia em que a tua/nossa vida mudou "...
Eu ainda não comecei a arrumar as minhas gavetas. Mas, houve alguém que já iniciou, e essa mesma mulher, hoje sem querer entrou na minha vida e deu-me ainda mais força para o fazer.
Ao reencontra-lo, pensei: tenho de o publicar, foi um dia tão vitorioso e importante para nós, dá gosto o relembrar.
Coimbra, 24-09-2010, 23:19,
Hoje foi um dia muito especial, tanto para a V. como para os papás.
Hoje a V. comeu a sua primeira sopa. No inicio chorava imenso, porque aguardava ansiosa pelo seu biberão que deita o conhecido líquido branco, precioso e... a mamã dá-me a lamber uma colher com uma espessa papa meia cor de laranja. Lambidelas sôfregas, um choro, nova lambidela, um choro (continuo de barriga vazia). Papás e avós ansiosos e curiosos, mas V. lambia a colher e ao mesmo tempo ia degustando o novo paladar.
Uma aprendizagem para a pequena V. e aos poucos vamos entrando no ritmo dos diferentes sabores, com a certeza de dias como este vão continuar. É uma delicia vê-la a lamber os lábios de satisfação.
Hoje foi um dia muito especial, está aberta a cozinha para V.
A campainha tocou, e o simpático carteiro entregou um envelope almofadado… Muito aguardado pela surpresa que a amiga Titi Paula segredou. Agora, no quarto da V., na companhia do coelho orelhudo, da macaca Margarida, dos pin e pon e da Galinhita do monte, ei-los na prateleira: o urso e a ursa, dois quadros em ponto cruz feitos com muito amor e carinho.
Tocou a campainha, era o carteiro entregou os jornais diários do costume e um envelope.
O envelope bem selado pelo lobo mau e lá dentro a minha encomenda, tão aguardada... Estava à espera de quatro, mas vieram cinco (um foi oferta, obrigada aNa) maravilhosos postais e estou a planear colocá-los em molduras para o quarto do bebé...
av, Coimbra, a nossa primeira foto, 01 de Dezembro de 2009
O meu tempo tem sido de grades... e ontem evadi-me, olhei o sol, senti a brisa, pisei a terra e as folhas de Outono, dei a mão, num passeio longo e descontraído.
Ontem olhei novamente para ti, o meu maior bem uns pequenos 17 cm a crescer dois em um para sempre!!!
Pequenas coisas que aos meus olhos e ao meu coração foram imensas Regressei ao meu tempo e as grades flutuam...
av, Coimbra, varanda do meu jardim, 27 de Outubro de 2009
Faz hoje precisamente oito dias, recebo a notícia do meu médico a informar que estou com extenso descolamento da placenta… Assim, o único pedido do médico: ir para casa e ficar em repouso absoluto.
Hoje é o meu sétimo dia e deixo-vos o meu olhar, enquanto eu continuo a cuidar do meu milagre.
Não se perdeu nenhuma coisa em mim. Continuam as noites e os poentes Que escorreram na casa e no jardim, Continuam as vozes diferentes Que intactas no meu ser estão suspensas. Trago o terror e trago a claridade, E através de todas as presenças
Nothing with nothing around it and a few trees in between none of which very clearly green where no river or flower pays a visit. If there be a hell, i've found it. For if ain't here, where the Devil it is?
A minha toalha chama por mim... Faltam 3 dias e mar, praias de areias finas, águas cristalinas, calor, o luar, boa vida, relaxar, sem horas, descobrir, novos sabores, cheiros, aqui vou eu...
Recebi hoje este filme via e-mail, achei-o tão emocionante, que não resisti em colocá-lo aqui... Trafalgar Square - 18h00 no dia 30 de Abril de 2009.
Já agora, vai também a letra para acompanharem.
Hey, Jude, don't make it bad, take a sad song and make it better Remember, to let her into your heart, then you can start, to make it better.
Hey, Jude, don't be afraid, you were made to go out and get her, the minute you let her under your skin, then you begin to make it better.
And anytime you feel the pain, Hey, Jude, refrain, don't carry the world upon your shoulders.
For well you know that it's a fool, who plays it cool, by making his world a little colder. Da da da da da da da da...
Hey, Jude, don't let me down, you have found her now go and get her, remember (Hey Jude) to let her into your heart, then you can start to make it better.
So let it out and let it in, Hey, Jude, begin, you're waiting for someone to perform with. And don't you know that is just you? Hey, Jude, you'll do, the movement you need is on your shoulder. Da da da da da da da da...
Hey, Jude, don't make it bad, take a sad song and make it better, remember to let her under your skin, then you'll begin to make it better (better, better, better,better, better!) Da, da, da, da da da, da da da, Hey Jude... Da, da, da, da da da, da da da, Hey Jude...
Um dia quente a saber a Verão, à beira de um lago de nenúfares, observando as rãs e ouvindo o seu coaxear. Em boa companhia de amigos, num ambiente tranquilo e em harmonia, deliciei-me com um belo almoço ao ar livre, recheado de apetitosos sabores italianos e africanos.
Este é o puro prazer...
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos." Charles Chaplin
Uma mesa com tons primaveris, as primeiras hortenses do jardim vieram alegrar o centro. Os sabores vindos da terra foram o prato principal e acompanhar o maravilhoso néctar de cor dourada e sabor frutado.
À volta da mesa, alegria e conversas animadas, fizeram este dia de descanso, para revigurar os sentidos... um dia em paz.
Sair do sono, despertar, abrir a janela e deixar penetrar os sons, os aromas do campo e sentir o vento fresco e brando no quarto... Tomar o ar e sentir o gozo de olhar a bela paisagem que este lugar oferece.
Era uma vez um livro. Um livro fechado. Tristemente fechado. Irremediavelmente fechado.
Nunca ninguém o abrira, nem sequer para ler as primeiras linhas da primeira página das muitas que o livro tinha para oferecer.
Quem o comprara trouxera-o para casa e, provavelmente insensível ao que o livro valia, ao que o livro continha, enfiara-o numa prateleira, ao lado de muitos outros.
Ali estava. Ali ficou.
Um dia, mais não podendo, queixou-se:
- Ninguém me leu. Ninguém me liga.
Ao lado, um colega disse:
- Desconfio que, nesta estante, haverá muitos outros como tu.
- É o teu caso?
- perguntou, ansiosamente, o livro que nunca tinha sido aberto.
- Por sinal, não - esclareceu o colega, um respeitável calhamaço.
- Estou todo sublinhado. Fui lido e relido. Sou um livro de estudo.
- Quem me dera essa sorte - disse outro livro ao lado, a entrar na conversa.
- Por mim só me passaram os olhos, página sim, página não... Mas, enfim, já prestei para alguma coisa.
- Eu também - falou, perto deles, um livrinho estreito. - Durante muito tempo, servi de calço a uma mesa que tinha um pé mais curto.
- Isso não é trabalho para livro - estranhou o calhamaço.
- À falta de outro... - conformou-se o livro estreitinho.
Escutando os seus companheiros de estante, o livro que nunca fora aberto sentiu uma secreta inveja. Ao menos, tinham para contar, ao passo que ele... Suspirou.
Não chegou ao fim do suspiro, porque duas mãos o foram buscar ao aperto da prateleira. As mãos pegaram nele e poisaram-no sobre os joelhos.
- Tem bonecos esse livro? - perguntou a voz de uma menina, debruçada sobre o livro, ainda por abrir.
- Se tem! Muitos bonecos, muitas histórias que eu vou ler-te - disse uma voz mais grave, a quem pertenciam as mãos que escolheram o livro da estante.
Começou a folheá-lo e, enquanto lhe alisava as primeiras páginas, foi dizendo:
- Este livro tem uma história. Comprei-o no dia em que tu nasceste.
Guardei-o para ti, até hoje. É um livro muito especial.
- Lê - exigiu a voz da menina.
E o pai da menina leu. E o livro aberto deixou que o lessem, de ponta a ponta. Às vezes, vale a pena esperar.
" As casas são como as pessoas, têm a sua idade, os seus cansaços, as suas loucuras. Ou talvez não - são as pessoas que são como as casas, com a sua cave, o seu sótão, os seus muros e, por vezes, janelas claras que dão para belos jardins. " Christian Bobin, " Isabelle Bruges "
Mar sonoro, mar sem fundo mar sem fim. A tua beleza aumenta quando estamos sós. E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen Mar Sonoro, p. 16
A blogosfera permite a rápida divulgação de mensagens e é mesmo isso o que se pretende com este apelo.
Afonso Tiago, um jovem engenheiro de 27 anos, que se encontrava a estagiar em Berlim, foi visto pela última vez às 3H40 da madrugada de 10 de Janeiro, junto da estação ferroviária de Ostbahnhof, onde se despediu de um amigo, dizendo-lhe que ia a pé para casa, a cerca de 15 minutos de caminho, mas nunca lá chegou. O Afonso Tiago continua desaparecido há mais de um mês.
Não podemos ficar indiferentes a esta notícia. Importa passar a mensagem e pedir que qualquer informação importante seja comunicada imediatamente. Todos os contactos em Afonso Tiago.