15 julho, 2008
14 julho, 2008
Estrela da Tarde
Era a tarde mais longa de todas as tardes
que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas,
tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca,
tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste
na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos
no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos
ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste
o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite,
para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites
que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas
e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos
cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite
uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite
nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite
amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem,
vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura,
se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste
despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem
se quer tanto!
Ary dos Santos
08 julho, 2008
06 julho, 2008
Terra
03 julho, 2008

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill
02 julho, 2008
Rio de Mouros...
Vem e me abraça me leva
pra beira do igarapé,
mapas escorrem das mãos
que vão me fazer cafuné.
A vida começa agora,
ilhas de mel, são rios de mel,
remansos e correnteza.
Sertão das Águas,
o amor quando quer é bater e valer,
inunda os dias de sol,
pode chover se quiser.
Lá no sertão, quando vem a noite chover estrelas,
pingos de luz, são gotas de luz,
teus olhos na corredeira,
sertão veredas do Grão-Pará.
Sertão canoa das populações ribeirinhas
que vivem dos frutos da mata
e que não podem a floresta ver destruída.
Não venha o fogo queimar,
nem trator correr, arrastar
pra que a vida queira pulsar e correr.
Rede que embala o amor
e lambuza de tamba-tajá,
lábios com fino licor,
sede de se lambuzar.
O meu pensamento voa,
chega primeiro a minha voz,
cai nos meus braços,
aperta os laços, desfaz os nós.
O grito dessas pessoas
no fundo dos seringais,
devia ser escutado
em Beléns e Manais.
Corre nas veias remar e seguir a viagem,
viver só carece coragem;
esperança que a paz
reine na floresta.
Não venha o fogo queimar,
nem trator correr, arrastar,
pra que a vida queria pulsar e correr.
Sertão das Águas,
o amor quando quer é bater e valer,
inunda os dias de sol
e pode chover se quiser.
O meu pensamento vai,
chega primeiro a minha voz,
cai nos meus braços,
aperta os laços, desfaz os nós.
O grito dessas pessoas
dos fundos dos seringais,
precisa ser escutado
em Beléns e Manais.
Milton Nascimento
29 junho, 2008
O Amor, Quando Se Revela...
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
...
26 junho, 2008
24 junho, 2008
23 junho, 2008
Chamo-Te
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.
Há muitas coisas que não quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.
Sophia de Mello Breyner Andresen
17 junho, 2008
Ele há cada nome
Há nomes que nem inventados. Mas são verdadeiros. Eu garanto, porque os colecciono e cato, um a um, pelas listas telefónicas do país.
A família Barriga, por exemplo, tão velha como Portugal. Já no tempo do nosso primeiro rei, o bravo D. Afonso Henriques, vivia, na província da Beira, um Martim de Barriga.
Que ninguém se admire.
A família cresceu, espalhou-se e chegou aos nossos dias. Conheci, há tempos, uma senhora, descendente do remoto beirão Martim de Barriga. Chama-se Maria das Dores, mais precisamente Maria das Dores de Barriga, o que talvez lhe cause alguma indisposição.
Mais ou menos semelhante, e também verdadeiro, foi o caso ou casamento que uniu D. Maria José Coelho com o Engenheiro Manuel da Silva Guisado. O filho do casal chama-se Abel Coelho Guisado e não se importa.
Nem tem nada com que importar-se, porque, verdade verdadinha, há nomes muito mais esquisitos.
Contou-me a minha avó que um casal já com muitos filhos foi brindado com mais uma criança, um perfeito rapazinho que havia de se chamar...
- André - disse o pai.
- João - disse a mãe.
- Camilo - disse o outro avô.
- Manuel João - disse uma avó.
- João Manuel - disse a outra avó.
Não se entenderam.
- Olhe, senhor sacristão, o nome do meu filho fica João, até ver.
Mas, para o resto da vida, ficou só conhecido pelo João Até Ver.
- Pouco importa - concluía a minha avó, que esta história me contou. - O que vale é que cada um seja conhecido pelo que de bom fizer.
Grandes verdades ensinava a minha avó, de nome Olívia Torrado, que, todos concordarão, não é um nome assim muito vulgar...
13 junho, 2008
05 junho, 2008
De Lisboa com Amor ....
Amor rebelde
Amor antigo
Amor de pele
Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante
Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão
Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado
Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue bem quente
Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca tocado
Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso
Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada mas nada
Te faz contente me faz contente
Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido
Há amor eterno
Sem nunca talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez
Sempre para sempre - Donna Maria
02 junho, 2008
28 maio, 2008
Quebrando o silêncio
Arrumei à pressa o dia anterior,
levanto-me do chão, a rasgar a vida...
Ouço esta melodia e penso em alguém.
27 maio, 2008
25 maio, 2008
22 maio, 2008
Recordações de infância...
Apresento-vos a Fedra e o Pavel.
Estes amorosos bonecos de trapos feitos pela minha irmã já devem ter uns 20 anitos.
Recordo-me perfeitamente de a ver entretida a fazer estes bonecos coloridos, rodeada de pequenos tecidos de vários padrões e cores, moldes em papel vegetal, linhas, lãs, tintas, tesoura e agulhas.
Agora o tempo é curto e ficam as recordações. Quem sabe um dia...
21 maio, 2008
pequenos romances
Queimei os pequenos romances
da colecção coração de ouro
só restava o nosso
sabias que não seria duradouro
pequenos romances
rodeei-me dos teus objectos favoritos
agora já não me sinto tão culpada
organizei o remorso
não encontrei absolutamente nada
um dia é provável que te volte a amar
mas espero que nesse dia
seja tarde demais
A Naifa
13 maio, 2008
Novo desafio!!!
Os Amigos que habitualmente visitam este lugar deram a resposta e mesmo assim houve um dito falso expert em botânica que teimava distabilizar a nossa aventura.
Aqui vai o novo desafio. Quem me diz o nome desta bonita flor???
12 maio, 2008
11 maio, 2008
Irish Wildflower Mix
Esta bonita e colorida embalagem veio de longe... mais precisamente Dublin, talvez a 2500 km daqui. Uma oferta de um amigo...
Contendo uma mistura de várias e pequenas sementesinhas de flores selvagens.
No dia 06 de Abril, dediquei-me à jardinagem e mãos à terra. A minha ideia seria lançar estas pequenas sementes no nosso jardim & horta junto do limoeiro, os morangueiros silvestres, o alecrim, o buxo, a azália e outras plantinhas.
Mas, surgiu um pequeno problema... este pequeno cantinho de terra é nem mais nem menos um dos locais preferidos do Pipas e do Max, porque aqui eles adoram esgravatar, brincar às escondidas e o mais grave adoram comê-las, de preferência as plantas mais tenrinhas.
Assim, mudança de planos e para que as pequeninas sementes pudessem crescer em paz, nada melhor que mudar o local. Um vaso...
Colocou-se a terra, as sementes foram lançadas e no final reguei o pequeno canteiro. De acordo com as "Growing instructions" a germinação inicia-se dentro de 10-40 dias.
Foto: tirada no dia 01 de Maio.
06 maio, 2008
04 maio, 2008
Flores do campo
o dia internaional do trabalhador,
a quinta-feira da Ascensão,
o dia da espiga...
Cheguei à Fonte Coberta e como a casa estava silenciosa, saí porta fora e fui ao encontro das meninas... Andavam elas entretidas no meio do campo apanhar a espiga e outras flores campestres e eis o resultado, os ramos da Sara, Maria João e Inês.
Cada elemento simboliza um desejo:
- A espiga, que haja pão, isto é, que nunca falte comida, que haja abundância em cada lar.
- O ramo de folhas de oliveira, que haja paz.
- Flores, que haja alegria, simbolizada pela cor das flores - o malmequer ainda «traz» ouro e prata, a papoila «traz» amor e vida e o alecrim «traz» saúde e força.
30 abril, 2008
Menina de Lisboa...

Outro dia especial e desta vez dedico um post à minha companheira de viagens...
A ti, os meus Parabéns e desejos de Belos e Felizes anos...
....
Menina Lisboa
Você é daquelas
Que em noite de Lua
Namoram os craveiros
Das altas janelas
Que deitam p´ra rua
E baila no vira
Que vira e não cansa
Pela Madragoa
Agora é que eu vejo
Você também dança
Menina Lisboa
...
Repertório Amália Rodrigues
Letra de: Amadeu do Vale
Música de: Raul Ferrão
24 abril, 2008
Ao Viajante...
muitos PARABÉNS e que este dia seja bem passado, pelo menos à tua maneira!!!
17 abril, 2008
Amor como em casa
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraída percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina
13 abril, 2008
Um rapaz mal desenhado
gostei de o ter por cá
o teu corpo delicado e quente
um rapaz mal desenhado
...
...
depois de tão belo começo
a dar-me a mão por debaixo da mesa
eu bem sei que não o mereço
ambiciono um coração
perco a noção da subtileza
sabes que nunca te encorajei
levanta-te e paga a despesa
(perdoa-me a indelicadeza)
não julgues que não tentei
és pouco para tanto desejo
e é toda tua a culpa
dos embaraços em que me vejo"
_m.r.t. (A Naifa)
08 abril, 2008
06 abril, 2008
Chegou a Primavera!!!
Chegou a Primavera e com ela traz o canto dos pássaros e o desabrochar das flores de mil e uma cores.
É a estação em que nos sentimos mais leves e prontos para sair, passear, viajar, conviver com os amigos, partir para novas experiências e para sair da toca à caça de novas aventuras!
Aqui fica a aventura para ir à "caça". Quem me diz o nome desta bonita flor???
02 abril, 2008
Segue o teu destino
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis
30 março, 2008
25 março, 2008
Da Fonte Coberta com amor...
Conseguiste o que querias, arrancar um brilhozinho de felicidade e ao mesmo tempo um sorriso rasgado.
24 março, 2008
Amêndoas doces...
21 março, 2008
20 março, 2008
Sape Gato - Dia Mundial contra o Racismo

Pipas & Max gozando a sombra da falsa pimenteira
...
A gata Milocas teve três gatinhos. Os gatinhos chamavam-se Bibim, Bombom e Zé Lucas.
O Bibim e o Bombom são todos brancos.
O Zé Lucas não é todo branco. Tem uma orelha preta.
O Zé Lucas está sempre a lavar a orelha preta, a ver se a orelha muda de cor. Mas a orelha não muda de cor. Continua preta.
Então o Zé Lucas resolve ir ao médico dos gatos.
- Senhor Doutor, tenho a orelha toda preta.
- Já vi - disse o doutor .- E que mais?
- Mais nada.
- A orelha dói-lhe?
- Não dói.
- Ouve mal?
- Oiço bem.
- Tem comichão?
- Não tenho comichão.
- Então?
- É preta. A minha orelha é preta.
- Quer que lhe corte a orelha?
- Isso não.
- Então?
- Senhor Doutor, queria ter a orelha branca.
O médico dos gatos encolheu os ombros, mas foi lá dentro preparar uma injecção.
Veio com a injecção e deu a injecção ao Zé Lucas.
O Zé Lucas disse:
- Ai.
Vai daí, a orelha que era preta ficou branca, muito branca.
Ficou a orelha branca, mas o corpo, que era branco, ficou preto - patas pretas, focinho preto, rabo preto. Todo preto, muito preto.
- Está contente? - perguntou-lhe o médico dos gatos.
- Estou - respondeu o Zé Lucas.
E estava mesmo!
António Torrado, escreveu
19 março, 2008
13 março, 2008
A Ti...

" ... Nunca quis saber nunca quis acreditar
Que tu irias partir não podias cá ficar
nunca quis escutar muito menos quis ouvir
O teu silêncio que avisava a intenção de não voltar
Podes crer
Bem que me disseram para nunca me agarrar a uma pessoa a um lugar
Podes crer
Se um homem nunca chora para que servem estes olhos se não podem mais te ver
Queria ver queria saber
O que fazias tu que estás aqui a observar
Tás a ver tás a perceber
Pode ser que um dia a gente volte a se encontrar
Agora embora, agora sem demora
Deixa-me ficar aqui sozinho p’ra pensar
Embora agora que a minha alma chora
Como disse alguém
Vou-me perder para me encontrar
...
Pede-me que fique mais
Por um segundo eterno
Como se quisesse ter
O meu beijo terno
Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Só por esse instante"
Dois Lados do Mesmo Adeus
Letra: Manuel Lourenço e Miguel A. Majer
11 março, 2008
Lado A Lado
"Somos dois caminhos paralelos
Vamos pela vida lado a lado
Doidos que nós somos
Loucos que nós fomos
Nem sei qual é de nós mais desgraçado
Lado a lado meu amor mas tão longe
Como é grande a distância entre nós
O que foi que se passou entre nós dois que nos separou
Porque foi que os meus ideais morreram assim dentro de mim
Ombro a ombro tanta vez mas tão longe
Indiferença entre nós quem diria
Custa a crer que tanto amor tão profundo amor tenha acabado
E nós ambos sem amor lado a lado
Fomos no passado um só destino
Somos um amor desencontrado
Doidos que nós somos
Loucos que nós fomos
Não sei qual é de nós mais desgraçado"
Donna Maria
Música: Nobrega e Sousa
Letra: Jeronimo Bragança
10 março, 2008
05 março, 2008
03 março, 2008
01 março, 2008
O Olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.
E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.
Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos domónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.
Manuel António Pina
in «Algo Parecido Com Isto, Da Mesma Substância»







