19 fevereiro, 2009

o gato

Que fazes por aqui, ó gato?

Que ambiguidade vens explorar?

Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pelo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada?

Qual o crime de que foste testemunha?

Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?

Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

Alexandre O'Neil

4 comentários:

Helena de Tróia disse...

Bela homenagem ao Gato! embora goste mais de cães, são fieis!..bxx

Joanissima disse...

I'm a dog person... : ))

(foto linda!!!!)

Safira disse...

Eu sou de cães, sou de gatos, sou de cavalos e borboletas. Tudo o que mexe me encanta ;)
E adoro este poema do Oneill; quem tem gatos e os ama sabe que é mesmo assim.
Beijinho

Lusitana disse...

...
Zorbas pegou no ovo entre as patas da frente e viu assim como a avezinha dava picadas até abrir um buraco por onde enfiou a diminuta cabeça branca e húmida.
- Mamã!- grasnou a gaivotinha.
Zorbas não foi capaz de responder. Sabia que a cor da sua pele era preta, mas achou que a emoção e o rubor que o invadiam o transformavam num gato lilás.
...
"História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar" de Luis Sepúlveda, ler este livro é realmente um pequeno prazer! Beijinhos manita
Tani