02 abril, 2009

Para as princesinhas... Dia Internacional do livro Infantil


"O Livro fechado"
Era uma vez um livro. Um livro fechado. Tristemente fechado. Irremediavelmente fechado.
Nunca ninguém o abrira, nem sequer para ler as primeiras linhas da primeira página das muitas que o livro tinha para oferecer.
Quem o comprara trouxera-o para casa e, provavelmente insensível ao que o livro valia, ao que o livro continha, enfiara-o numa prateleira, ao lado de muitos outros.
Ali estava. Ali ficou.
Um dia, mais não podendo, queixou-se:
- Ninguém me leu. Ninguém me liga.
Ao lado, um colega disse:
- Desconfio que, nesta estante, haverá muitos outros como tu.
- É o teu caso?
- perguntou, ansiosamente, o livro que nunca tinha sido aberto.
- Por sinal, não - esclareceu o colega, um respeitável calhamaço.
- Estou todo sublinhado. Fui lido e relido. Sou um livro de estudo.
- Quem me dera essa sorte - disse outro livro ao lado, a entrar na conversa.
- Por mim só me passaram os olhos, página sim, página não... Mas, enfim, já prestei para alguma coisa.
- Eu também - falou, perto deles, um livrinho estreito. - Durante muito tempo, servi de calço a uma mesa que tinha um pé mais curto.
- Isso não é trabalho para livro - estranhou o calhamaço.
- À falta de outro... - conformou-se o livro estreitinho.
Escutando os seus companheiros de estante, o livro que nunca fora aberto sentiu uma secreta inveja. Ao menos, tinham para contar, ao passo que ele... Suspirou.
Não chegou ao fim do suspiro, porque duas mãos o foram buscar ao aperto da prateleira. As mãos pegaram nele e poisaram-no sobre os joelhos.
- Tem bonecos esse livro? - perguntou a voz de uma menina, debruçada sobre o livro, ainda por abrir.
- Se tem! Muitos bonecos, muitas histórias que eu vou ler-te - disse uma voz mais grave, a quem pertenciam as mãos que escolheram o livro da estante.
Começou a folheá-lo e, enquanto lhe alisava as primeiras páginas, foi dizendo:
- Este livro tem uma história. Comprei-o no dia em que tu nasceste.
Guardei-o para ti, até hoje. É um livro muito especial.
- Lê - exigiu a voz da menina.
E o pai da menina leu. E o livro aberto deixou que o lessem, de ponta a ponta. Às vezes, vale a pena esperar.
Autor: António Torrado
Foto: © av, Fonte Coberta, Fevereiro 2009

7 comentários:

Rosa Negra disse...

Desconfio que a última frase não era para as princesas, mas para mim ;))
Um abraço apertadinho

Zabour disse...

Que texto delicioso. Se não te importas, e o tio António tb, vou copiá-lo e guardá-lo para dps ler aos meus meninos qd a interrupção da Páscoa terminar.

Beijinhos e obrigada pela partilha

dejalo que va lejos disse...

Querida Rosinha,

Há-de chegar a nossa vez :)))) Por isso, podes começar já a colecioná-los :))))

Um abraço apertadinho e bom fim-de-semana

dejalo que va lejos disse...

Zabour,

Como tia de 4 exigentes princesas tenho que andar atenta ás leituras... Visita este maravilhoso site http://www.historiadodia.pt/pt/index.aspx, cheio de histórias de encantar os pequenos e não só.

Continuação de boas férias, cheia de amêndoas. Beijocas

Jorge Luis disse...

... a princesa mais pequena já teve direito á história até perguntou se havia um monstro???? do que esta gente pequena se lembra, em relação á princesa mais velha, tenho que lhe perguntar se quer ela contar-me a história. Havias de ficar surpreendida com evolução dela desde que começou a escola, já lê muito bem! estou orgulhosa, isto é... sou uma mãe babada!!!! até logo, vêmo-nos em Coimbra, bjitos Tani

Viajante disse...

Histórias com sabor a amor e a fantasia, daquela que só os livros nos sabem dar.

Lindo posto :-)

Beijos do eu

Helena de Tróia disse...

olá! livros e crianças é sempre uma conjugação perfeita! lembro-me desde sempre que todos os 1 de Junho (Dia Mundial da Criança) o meu pai levava-me sempre à Feira do Livro no Parque Eduardo VII e podia escolher o livro que quisesse! Quando regressar, hei-de fazer o mesmo com os meus.